quarta-feira, 13 de junho de 2012

CONSEQUÊNCIAS DO ROUBO DE GADO NO MARAJÓ


ROUBO DE GADO NO PARÁ PODE IMPEDIR OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DE LIVRE DA AFTOSA

Pecuaristas do Pará temem as consequências do roubo de gado na região do Marajó. Em média, são furtados 3.600 animais por ano, segundo o Núcleo de Apoio Empresarial (NAE), da Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa). A ação pode prejudicar a obtenção da certificação de Estado livre da febre aftosa, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. O alerta foi dado pelo presidente da Federação, Carlos Xavier, no 37º Encontro Ruralista, que termina hoje.
Xavier ressalta que a segurança no Estado é um dos temas que estão sendo discutidos no encontro como ponto fundamental para o desenvolvimento do setor e as melhorias sociais que podem advir do incremento da produção a partir do uso de novas tecnologias. O diretor do NAE, Lauro de Miranda Lobato, estima que são roubados todos os meses, em média, 300 animais nos municípios do Marajó. Geralmente os roubos ocorrem nos fins de semana, durante a noite, e os animais são levados em embarcações. Abatido sem critério, longe das regras estipuladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o gado roubado se torna um duplo e grave problema de saúde pública, destaca o representante da Faepa.
O primeiro problema diz respeito ao risco de contaminação por aftosa em animais saudáveis que estão espalhados nas áreas em que as reses roubadas são compradas. O produto do roubo é comercializado em Belém, Vigia, São Caetano de Odivelas, Santo Antônio do Tauá, Abeatetutu e outras cidades. Lauro explica que o roubo dificulta o controle das áreas do Marajó, nordeste do Estado e Baixo Tocantins, hoje consideradas de médio risco pela Organização Mundial de Saúde Animal. O pleito para tornar essas áreas "livre com vacinação" ficará mais distante se não houver combate às quadrilhas de roubo de gado, assinala o diretor.
Ainda há o risco de contaminar a população, pois o gado é abatido em péssimas condições de higiene e vendido a preço muito mais barato. "Sem contar a evasão fiscal, que é outro problema grave somado ao roubo de animais no Marajó. É um prejuízo grande aos cofres do Estado", diz o diretor técnico da Faepa, Alacid Nunes Filho. Xavier acrescenta que a questão de segurança está na pauta principal dos 131 representantes de sindicatos de produtores espalhados pelo Estado. A intenção é organizar o setor para afinar o discurso na hora de conversar com os candidatos a prefeito para que fiquem atentos a essas demandas.

Jornal Amazônia - Edição de 06/06/2012

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